Foi ainda na faculdade que conheci o termo Contrato Psicológico (CP). Desde lá, este conceito ficou engavetado em alguma parte do meu cérebro até que retornou alguns dias atrás.
De forma simples, podemos dizer que contrato psicológico está relacionado às expectativas que a organização tem sobre o comportamento do trabalhador, assim como às expectativas que o trabalhador tem para com a organização – em ambos os casos, isto não está escrito. Aborda as questões implícitas do “dar e receber”. É subjetivo, diferente daquele contrato de papel que você assina numa relação de emprego formal. É embasado em crenças formadas pelo nosso passado – em minhas palestras eu digo, baseado nos amigos da psicologia, que somos hoje o resultado de tudo que vivemos até aqui – somos fruto da nossa história.
E é dentro deste contexto que eu estava refletindo sobre o meu CP, mas não aquele que é consequência do contrato de papel que tenho assinado com meu empregador. Eu refleti sobre o contrato psicológico que é consequência de uma relação ainda maior e mais forte. O meu contrato psicológico comigo mesmo.
Pensa comigo. As bases de formação da nossa sociedade mudaram nos últimos anos. Da mesma forma, diversos conceitos também mudaram para se adequar à nova realidade: marketing, vendas, gestão de pessoas, etc – apresentam novas perspectivas. Na mesma linha está a “Gestão de Carreiras” – a tendência é que cada um seja o dono da própria carreira versus a época em que toda expectativa era depositada na empresa.
Eu não tenho um contrato formal assinado comigo, no máximo objetivos e metas escritos no papel. Mas como dono da minha carreira, eu questionei o meu CP atual.
E você, tem pensado sobre as expectativas com você mesmo que não estão no papel?
Quais as suas expectativas com você mesmo?
A teoria reconhece que as obrigações contratuais podem ser moldadas por objetivos e metas individuais e os feedbacks que recebemos ao longo deste processo.
Sua carreira deve estar ligada ao que você sonha, seu propósito (mas sem contos de fadas, ok? esse papo de largar tudo e fazer o que ama é bem complexo). Neste contexto, o que vai formar as obrigações contratuais do seu CP é quanto você está motivado em ir atrás dos seus objetivos. Os feedbacks vão te nortear nesta estrada. Enquanto feedbacks positivos injetarão grandes doses de motivação, os negativos vão te colocar pra baixo (no entanto, tire vantagem disso – encare a “falha” como menos uma opção a ser tentada, seja criativo e busque uma nova solução).
Por aqui, dediquei tempo para pensar sobre meu CP, tentando enxergar de forma mais clara tudo que estava implícito no meu “contrato” com a minha carreira. Então, revi quais objetivos e metas eu já tinha e fiz um cross check com as minhas expectativas. Baseado nas minhas crenças e no que eu tenho experimentado do mundo, recalibrei os resultados que quero alcançar.
A única parte desta análise interna que não mudou para mim, e não muda para ninguém, foi o quão duro eu precisarei trabalhar para alcançar os meus sonhos. O progresso em direção aos sonhos é fundamental na relação contratos psicológicos e o desenvolvimento de carreira.
Quais são as obrigações contratuais do seu CP? O que você não tá enxergando? Quanto você está disposto a dar e receber para alcançar seus objetivos? Quão duro está disposto a trabalhar?
