Não existe Kaizen sem Hansei
Hansei

Não existe Kaizen sem Hansei

Fim de ano chegando, começam então as revisões de objetivos, revisão de metas, aquela olhadinha no budget, reflexões e mais reflexões. Mas, por que será que não fazemos isso antecipadamente? Temos de fato que esperar dar ruim pra ver onde erramos? Temos que esperar tocar a musiquinha da Leader para começar as retrospectivas?

Mas eis o seguinte: a maioria de nós não se envolve com reflexão o suficiente ou considera uma ferramenta a ser usada regularmente. Geralmente fazemos um post-mortem leve quando falhamos em alguma coisa, mas muitas vezes o objetivo é a simples detecção de falhas, e não um aprendizado mais profundo. Queremos muito os “Kaizens” sem praticarmos “Hanseis

Hansei é introspecção e autorreflexão. Mas esta palavra tem um significado extremamente profundo na sociedade japonesa. “Fazer hansei” significa ser honesto com suas próprias fraquezas, falhas e tropeços, seja na vida profissional ou pessoal, pois este é o ponto inicial para conseguir melhorar sempre.

O principal insight é o seguinte: o Hansei é realizado regularmente, como uma disciplina, independentemente do desempenho ou resultado. Não é aquela reuniãozinha que fazemos quando algo dá errado. É reflexão diária.

Nada nem ninguém é perfeito. Essa crença está presente em todos os níveis da sociedade japonesa: em casa, na escola, no local de trabalho, nos esportes e no governo. As organizações japonesas são construídas em torno desse termo, valorizando o processo iterativo de refletir, analisar e melhorar, e vê as críticas como uma parte necessária e valiosa do crescimento. Essa aceitação da crítica é importante para o sucesso e o auto-aperfeiçoamento, pois confere ao indivíduo maior autonomia. O poder está no entendimento de que não temos direito à perfeição, mas podemos trabalhar em direção a ela, dando-nos o controle para alcançar nossos desejos.

Mais quais são as etapas para se praticar o Hansei? Listamos algumas etapas que podem te ajudar:

1 – Arranje tempo.

Tente reservar pelo menos 15 minutos por dia para começar. Mas não fique limitado a isso … se você tiver apenas 5 minutos, use-o. Esse primeiro passo, como em qualquer jornada, é obviamente a parte mais difícil.

Blaise Pascal escreveu uma vez: “Todos os problemas da humanidade resultam do fato de o homem não poder sentar-se quieto em uma sala sozinha”.

2 – Use a sua experiência.

Se pergunte: Aconteceu o esperado? O que deveria acontecer?  O que realmente aconteceu? O que explica as diferenças ou lacunas entre o que você pensou ou esperava que acontecesse e o que realmente aconteceu?

Esse é o grande limiar entre uma paradinha e a autorreflexão.

3 – Descubra tendências, se antecipe.

Depois de fazer as atividades por um tempo, observe as recorrências, anote, faça possíveis conexões entre coisas aparentemente não conectadas.

4 – Faça Planos.

Pense em algumas idéias (“e se”) que vêm à mente com base nos três primeiros passos. Anote oportunidades para testar essas novas idéias. Faça algumas anotações rápidas – o que fazer, o que não fazer, etc. – que iniciarão seus pensamentos e fornecerão uma orientação preliminar.

Embora o hansei seja um exercício solitário destinado a ajudá-lo a melhorar seu desempenho e criatividade, alinhando seus pensamentos e ações, tornando-os mais visíveis a si mesmo, os resultados certamente podem ser compartilhados com outras pessoas, conforme você desejar e conforme apropriado.

Acho que ajuda se você não vê a reflexão como uma tarefa árdua ou um exercício de escrita estritamente linear, mas como uma atividade de mindfulness mais livre, auto-exploratória e criativa.

E ai? Você pratica ou já praticou o Hansei? Conta aí pra gente vai???

Ramon Farias

Ramon Farias

Fundador da Eyesight (A escola do BEN - isso com N mesmo heheheh), um cara que fez engenharia por gostar de máquinas e acabou trabalhando com pessoas (e se apaixonou por isso), apaixonado por Tecnologia, entusiasta da Filosofia Lean, metodologias Hands On, Storytelling, e um monte de coisa que ajuda as pessoas a ver o mundo de uma forma diferente (chama a galera do Oclinho). E, Petropolitano: sendo ponte do passado para o futuro na Serra.

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